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Verdade absoluta ou verdades relativas?

Verdade absoluta ou verdades relativas?

Atualmente as pessoas têm falado muito comumente que não existe uma verdade absoluta. Que cada um tem sua verdade. Este pensamento está disseminado inclusive entre cristãos!

Afinal, a verdade pode ser relativizada? Existe meia verdade ou mais de uma verdade?

A Bíblia nos ensina que existe o "sim" e o "não", o que passa disso (talvez) é procedência maligna. Em João 8.32 está escrito: e conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará! Jesus disse "a" verdade. Ou seja, existe uma verdade, independentemente de como a enxergamos.

A questão é que, se a verdade se torna relativa, a mentira se torna absoluta, porque meia verdade é uma mentira inteira.

Reflitamos sobre isso na perspectiva jurídica: imaginemos a relativização do assassinato enquanto crime a depender do fato ocorrido. Se uma pessoa matou outra por vontade própria, e outra matou em um acidente, o que muda? Nada, nos dois casos o que ocorreu foi um homicídio. O que vai variar é como a pena será aplicada a partir do julgamento, mas o fato de uma pessoa ter matado outra não mudou.

Ao relativizar o ato de matar, abre-se margem para alegação de que o que o homicídio não foi errado, e saber o que é certo e o que é errado é o que traz segurança jurídica. A relativização do fato faz com que o certo e o errado deixem de ter sentido, pois tudo passa a ser considerado de um ponto de vista legítimo e, portanto, verdadeiro.

Mas qual o problema de se ter mais de uma verdade? É simples, se tudo é verdade, não há mentira, e se tudo é certo não há o errado. Assim, se perdem os valores, a referência, a certeza. Nesta lógica entra inclusive a fé. 

A Bíblia nós ensina que a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem (Hb 11.1). Se relativizamos a certeza da fé a partir do texto escrito em Hebreus 11, o que pode acontecer?

Imagine a situação: se passarmos a considerar que elementos materiais são importantes para fundamentar nossa fé, toda e qualquer coisa pode se tornar um elemento de fé, a partir do momento que as pessoas entendem que verdadeiramente elemento X ou Y representam sua fé. Com isso, a essência da fé se perde, tudo poderá ser adorado, e o princípio da fé passa a ser deturpado.

Temos que entender que ter pontos de vista distintos sobre um fato não faz com que ele seja diferente. A exemplo da fé, nossa certeza é que ela está em coisas que não podemos ver, mesmo tendo como respaldo para exercê-la na Bíblia, que é um elemento material que podemos tocar. Mas nossa fé não está no elemento Bíblia, e sim no fundamento eterno que é relatado nela. Precisamos parar de relativizar as coisas.

Nossa certeza deve ser clara, que da nossa boca saia ou o sim, ou o não, mas que tenhamos a sensibilidade de entender o que são posicionamentos, e o que são fatos, para não nos contaminarmos por meio da relativização da verdade.

Que sejamos firmes na fé, fundamentados na justiça e no que é certo, pois a relativização da verdade representa a desconstrução de alicerces que nos fizeram chegar até aqui, seja na fé, seja na construção da sociedade.

:: Dayanna Fagundes Silva - Grupo de Ação Política - GAP

Foto: unsplash